29 julho 2006

O crime do Padre Amaro

«EL CRIMEN DEL PADRE AMARO»
Envolto em polémica no México, seu país de origem, o filme resulta da adaptação para cinema da obra homónima de Eça de Queiroz publicada em 1875.

Um jovem Padre recém ordenado chega à pequena localidade de Los Reyes, no México. Já instalado na paróquia do Padre Benito, o Padre Amaro conhece a bela Amélia, uma jovem devota de apenas dezasseis anos. O jovem sacerdote começa a aperceber-se das ligações perigosas entre a Igreja local e os narcotraficantes.O Padre Natálio, é acusado de incentivar a guerrilha e o Padre Benito sofre um ataque cardíaco. A sua relação com Amélia ganha contornos indesejáveis e que não se coadunam com a sua condição de Padre. Mas aconteça o que acontecer Amaro nunca permitirá que se coloque em causa a sua carreira de sacerdote.

Hoje na RTP às 23h. www.rtp.pt

28 julho 2006

Saudade


" Un seul être vous manque et tout est dépleuplé!"

Alphonse de Lamartine
Poeta, escritor e político Francês
(1790 - 1829)

27 julho 2006

Separação - Pais e Filhos


Foi considerado o filme do ano pelo New York Film Critics Online, uma organização recente (existe desde 2000), onde o destaque vai para críticos online na área de Nova Iorque.
'The Squid and the Whale' de Noah Baumbach derrotou oito filmes onde se encontravam 'Brokeback Mountain', 'Munique', 'Crash' ou 'Good Night and Good Luck'...
Na década de 80 uma família está a viver o caos em Nova Iorque. A separação é a única solução, mas como é que os filhos do casal vão enfrentar esta realidade?
Um olhar sobre a disfunção familiar num agregado que tem tanto de original como de mundano. O pai, autor frustrado na América dos anos 80. A mãe, filha do flower power que não consegue encontrar-se neste mundo estranho. O filho mais velho, apaixonado pelos Pink Floyd tenta esconder o que as zangas entre os pais realmente lhe custam. O filho mais novo, a descobrir a sua sexualidade e a tentar perceber como é que um grupo familiar aparentemente tão unido pode estar à beira do desmembramento.
É assim que se constrói mais um enredo a não perder, vindo directamente das produções indie americanas que ultimamente têm trazido ao grande ecrã uma originalidade e vitalidade difíceis de atingir pelas grandes produções americanas.A pureza do argumento em paralelo com as excelentes interpretações dirigidas por Noah Baumbach fazem deste filme uma gota de esperança no oceano da falta de criatividade que parece ter ultimamente assomado à porta de muitos estúdios.
Vale a pena ir ver... não é mais uma americanada! :)

26 julho 2006

A minha viagem...

Ítaca

Quando começares a tua viagem para Ítaca,
reza para que o caminho seja longo,
cheio de aventura e de conhecimento.
Não temas monstros como os Ciclopes ou o zangado Poseidon:
Nunca os encontrarás no teu caminho
enquanto mantiveres o teu espírito elevado,
enquanto uma rara excitação agitar o teu espírito e o teu corpo.
Nunca encontrarás os Ciclopes ou outros monstros
a não ser que os tragas contigo dentro da tua alma,
a não ser que a tua alma os crie em frente a ti.

Deseja que o caminho seja bem longo
para que haja muitas manhãs de Verão em que,
com quanto prazer, com tanta alegria,
entres em portos que vês pela primeira vez;
Para que possas parar em postos de comércio fenícios
para comprar coisas finas, madrepérola, coral e âmbar,
e perfumes sensuais de todos os tipos -
tantos quantos puderes encontrar;
e para que possas visitar muitas cidades egípcias
e aprender e continuar sempre a aprender com os seus escolares.

Tem sempre Ítaca na tua mente.
Chegar lá é o teu destino.
Mas não te apresses absolutamente nada na tua viagem.
Será melhor que ela dure muitos anos
para que sejas velho quando chegares à ilha,
rico com tudo o que encontraste no caminho,
sem esperares que Ítaca te traga riquezas.

Ítaca deu-te a tua bela viagem.
Sem ela não terias sequer partido.
Não tem mais nada a dar-te.

E, sábio como te terás tornado,
tão cheio de sabedoria e experiência,
já terás percebido, à chegada, o que significa uma Ítaca.

Konstantínos Kaváfis (1911)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Konstantinos_Kavafis

24 julho 2006

A Amizade

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho os meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Os meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

Carlos, gostei muito e por isso coloco aqui no blog! :)

23 julho 2006

Juanes esteve em grande no Chopp!


Fotografia

Cada vez que yo me voy llevo al lado de mi piel
Tus fotografias para verlas cada vez
Que tu ausencia me devora entero el corazón
Y yo no tengo remedio más
Que amarte...

En la distancia te puedo ver
Cuando tus fotos me siento a ver
En las estrellas tus ojos ver
Cuando tus fotos me siento a ver

Cada vez que te busco te vas
Cada vez que te llamo no estas
Es por eso que debo decir que tu solo en mis fotos estas(BIS)

Cuando hay un abismo desnudo que se pone entre los dos
Yo me valgo del recuerdo taciturno de tu voz
Y de nuevo siento enfermo este corazón
Que no lo quede remedio mas que amarte

En la distancia te puedo ver
Cuando tus fotos me siento a ver
En las estrellas tus ojos ver
Cuando tus fotos me siento a ver

Cada vez...


Jairo... obrigada por me teres dado a conhecer este teu conterrâneo colombiano! Fiquei fã :)
A 1ª versão que ouvi desta canção, era um dueto com Nelly Furtado...muito bom!

22 julho 2006

As minhas sandálias novas


A ginástica dos pés e pernas:
As sandálias Birkenstock foram concebidas para proporcionar este movimento muscular, e por isso, pelo facto de serem usadas, obrigam pura e simplesmente os músculos da perna a fazer ginástica.http://www.stepin.pt/v1/ginastica.htm

Todas as marcas associadas á casa Birkenstock produzem palmilhas, ou plantares anatómicos, utilizando diferentes matérias-primas mas sempre com o objectivo de proporcionar conforto e relaxamento máximo aos seus pés e pernas.
http://www.stepin.pt/v1/qualidade.htm

Saúde e conforto:
Todos os modelos Birkenstock ou marcas associadas possuem um plantar anatómico que se ajusta na perfeição á forma do pé, para que caminhar seja um prazer. Em 1896 Konrad Birkenstock desenvolveu um conceito que iria literalmente mudar a forma do calçado. Apesar da sola dos nossos pés ser curvilínea, todos os sapatos feitos até a data tinham solas interiores lisas. Konrad teorizou que caso a sola do calçado reflectisse a forma da sola dos pés, poderia ser alcançado um maior conforto.

Conheça então os resultados de 225 anos de experiência na arte de fabricar calçado ortopédico:
1. Zona do calcanhar: Esta zona do calcanhar dá firmeza ao pé e suporte total ao calcanhar.
2. Arco longitudinal interior e exterior: Seguram o pé na sua posição correcta. A sua suave elevação forneçe equilibrio ao caminhar.
3. Apoio transversal: Dá o apoio natural ao pé aliviando a pressão do centro para a parte posterior do pé.
4. Barra de apoio dos dedos: Optimiza os movimentos naturais do pé.
5. Sola em cortiça e latex: Extraordinariamente fléxivel, a cortiça adapta-sa ás pequenas variações dos pés e serve como isolante térmico, proporcionando assim, um conforto excepcional.
6. Forro: Fornece um ambiente agradável e saudável em redor do pé.
7. Barras de protecção: As barras foram especialmente resguardadas para proteger os seus dedos. A sola Birkenstock
http://www.stepin.pt/v1/saude.htm

21 julho 2006

Mostra Internacional de Teatro

Mostra Internacional de Teatro –MITE
Teatro Nacional D. Maria II

Itália
Il Lettore a Ore de José Sanchis Sinisterra
De 25 a 27 Jul 2006
Direcção Jose Sanchis Sinisterra
Teatro Metastasio Stabile de la Toscania, Prato, Florença

Actores: Maya Sansa, Gianluigi Tosto, Adriano Iurissevich

Três personagens procuram-se e afastam-se numa ambígua geometria de disfarce e revelação, dependência, autonomia, domínio e submissão… em volta do ritual íntimo e misterioso da leitura.
Celso, um homem de negócios, rico e culto, proprietário de uma grande biblioteca, contrata Ismael à hora para ler romances à sua filha Lorena, que cegou aos sete anos sem causa aparente, provavelmente na sequência da morte da sua mãe. Desde essa altura, a jovem vive numa tensão emocional que a leva a fechar-se cada vez mais em si mesma.
No decurso das sessões diárias de leitura, as narrativas decorrem - – di Lampedusa, Conrad, Flaubert, Schnitzler, etc. – conduzidas pela voz de Ismael e atravessam a concha de Lorena. Alguma coisa começa a mover-se dentro dela e a desmontar a aparente rigidez do triângulo humano. É como se um pântano de água estagnada (a vida "real") fosse alterado e agitado pela inesperada irrupção de riachos (a vida "imaginária" dos romances).
De facto a acção dramática parece mover-se com o poder da leitura, e este é sem dúvida um dos temas centrais desta obra: moradas e paisagens onde nunca estivemos, seres diferentes e distantes, sensações alheias, sentimentos proibidos, vozes irreconhecíveis, palavras fulgurantes que nos revelam aquilo que sempre soubemos sem o saber… porque será que toda esta alteridade nos pertence tanto? O que será que faz e desfaz em nós o acto imperceptível da leitura? Como dilui e depois reconstrói os nossos contornos interiores, provavelmente devastados pela vida?



20 julho 2006

O mundo em que vivemos



'Vivemos num mundo onde precisamos de nos esconder para fazer amor…… enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.'

John Lennon

19 julho 2006

Nesta data querida...muitos anos de vida!

Sê como a água corrente na generosidade e na ajuda
Sê como o sol na piedade e na ternura
Sê como a noite no esconder os defeitos dos outros
Sê como um morto na raiva e na irritação
Sê como a terra na modéstia e na condescendência
Sê como o mar na tolerância
Assemelha-te mesmo àquilo que és
Ou sê mesmo como aquilo a que te assemelhas

Rûmî
(1207-1273)
O grande poeta místico do Sufismo

17 julho 2006

Os meus braços... teus abraços...


Samba em Prelúdio

Eu sem você não tenho porquê
Porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz, jardim sem luar
Luar sem amor, amor sem se dar
Eu sem você sou só desamor
Um barco sem mar, um campo sem flor
Tristeza que vai, tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus

Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Eu sem você não tenho porquê
Porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz, jardim sem luar
Luar sem amor, amor sem se dar
Eu sem você sou só desamor
Um barco sem mar, um campo sem flor
Tristeza que vai, tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus

Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Baden Powell e Vinicius de Moraes

Para os lados de Évora...

Cromeleque dos Almendres

Este monumento megalítico, inicialmente constituído por mais de uma centena de monólitos, foi identificado em 1966 por Henrique Leonor Pina. A sua recente escavação possibilitou a detecção de várias fases construtivas, ao longo do Período Neolítico (V.’ e IV ’ milénios a. C.), até alcançar aspecto semelhante ao que hoje apresenta. Tais alterações são reflexo das mudanças económicas, sociais e ideológicas ocorridas.

Menires com diferentes formas e dimensões, desde pequenos blocos rudemente afeiçoados, outros maiores, que deram ao local o nome de Alto das Pedras Talhas, alguns cilíndricos, esféricos, ou de aspecto estelar, formaram dois recintos erguidos em épocas distintas, geminados e orientados segundo as direcções equinociais. 0 mais antigo (Neolítico Antigo) era definido por dois ou três circulos concêntricos de pequenos monólitos, ao qual se associou, no lado poente e algumas centenas de anos depois (Neolítico Médio), um outro, composto por duas elipses, irregulares mas concêntricas, com menires de grandes dimensões. Mais tarde (Neolítico Final), ambas as estruturas sofreram modificações, tendo-se transformado o recinto inicial numa espécie de átrio que orientaria e solenizaria os rituais socio – religiosos ali praticados.

As grandes dimensões da forma final do Cromeleque dos Almendres e a sua localização, próxima do cimo de importante relevo, de onde se desfruta vasto horizonte, ocupando uma encosta suave voltada a nascente, reflecte aspectos determinados pela evolução cultural. À última fase mencionada corresponde, ainda, a aplanação parcial de muitos monólitos, conferindo-lhes aspecto estelar, assim como a sua decoração, através de relevos ou de gravuras. 0 menir 57 mostra composição com treze representações de báculos, possíveis objectos de prestígio social, característicos dos espólios funerários da fase evolucionada do megalitismo alto-alentejano.

Também os menires 56 e 48 oferecem figurações de tais artefactos, no primeiro associada à escutiforme e, no segundo, incluída numa pequena cena centrada por figura antropomórfica esquemática. 0 menir 58, situado na extremidade norte do eixo menor do recinto, exibe três imagens solares radiadas.

Tal iconografia corresponde a um momento final do Neolítico ou já ao Calcolítico, quando na região se fizeram sentir os estímulos culturais das primeiras comunidades metalurgistas, produtoras de artefactos de cobre e portadoras de nova superestrutura religiosa. Esta era centrada por uma super-divindade feminina, idealizada com grandes olhos solares, a grande deusa-mãe mediterrânica.

0 Cromeleque dos Almendres constituíu, por certo, uma construção de carácter plurifuncional, capaz de organizar, durante cerca de dois milénios, o espaço em termos físicos e psicológicos, hierarquizando e estruturando o território em seu redor. Ele foi, também, local de agregação social e possivelmente símbolo da autoridade político-religiosa, no seio das populações de economia agro-pastoril e semi nómadas que habitaram a zona, estando ligado às observações e previsões astrais, como as práticas propiciatórias da fecundidade. Estas são sugeridas pelo falimorfismo de alguns menires, pelas decorações observadas e pela deposição de mós em algumas das suas estruturas de sustentação. Durante o Calcolítico o recinto terá sido desactivado e parcialmente arruinado, como deixa pressupor o derrube e destruição de muitos dos menires.

Muito interessante! :)

15 julho 2006

Fé e Música

Quando escutamos Bach
ou uma melodia gregoriana
todas as faculdades da alma
se dispõem e se calam
para aprender,
cada uma a seu modo,
esta coisa perfeitamente bela.
Entre outras, a inteligência
não acha nada que afirmar
e que negar,
mas alimenta-se.

A fé não deveria ser uma adesão
desta espécie?

Degradam-se os mistérios da fé
fazendo deles objectos de afirmação
ou de negação,
quando deveriam ser
objecto de contemplação.

Simone Weil
in "À porta do farol escuro" Ed. A.O. - Braga

Parisiense, (1909-1943), oriunda de pais judeus agnósticos, professora de Filosofia e "totalmente revolucionária", caracterizou-se pela precocidade intelectual, amor da verdade e da justiça social, bem como pela busca incansável do Deus Escondido. Apesar de sentir-se católica de alma e coração, por dificuldades que provinham da sua independência intelectual e o que ela sopunha ser o rigor da Igreja, nunca se decidiu a receber o baprismo.

14 julho 2006

O melhor bolo de chocolate do mundo


Um bolo que não leva farinha e cujo cacau utilizado é nobre (só para profissionais e tem nome – VALRHONA) fixaram? Uma delícia marrom para os olhos, um verdadeiro prestígio para o palato.
A sua textura fofa é caracterizada por camadas de mousse e crocante tipo suspiro que se intercalam entre si. Desfaz-se na boca, mas o sabor perdura por largos instantes… o tempo que durar o huuuuuummmmmm.
Para além da versão clássica existe também a versão negra que leva mais cacau e é indicado para os que apreciem menos doce, menos intenso.

Eu prefiro a versão clássica, claro está... :)))

Mnham!!!

Rua Coelho da Rocha, 99
Campo de Ourique
1350-076 Lisboa
Telefone: 213965372
De segunda-feira a sábado das 08:30 h às 19:30 h.

13 julho 2006

Preciso de...


Io non ho bisogno di denaro.
Ho bisogno di sentimenti, di parole, di parole scelte sapientemente,
di fiori detti pensieri,
di rose dette presenze,
di sogni che abitino gli alberi,
di canzoni che facciano danzare le statue,
di stelle che mormorino all'orecchio degli amanti....
Ho bisogno di poesia,
questa magia che brucia la pesantezza delle parole,
che risveglia le emozioni e dà colori nuovi.

Eu não preciso de dinheiro.
Preciso de sentimentos, de palavras, de palavras escolhidas com sabedoria,
de flores ditas pensamentos,
de rosas ditas presenças,
de sonhos que vivam nas árvores,
de canções que façam dançar as estátuas,
de estrelas que murmurem aos ouvidos dos amantes...
Preciso de poesia,
esta magia que queima o peso das palavras,
que desperta as emoções e dá novas cores.

Alda Merini

Obrigada S. pelo teu contributo :)

12 julho 2006

Honrar a Vida

Honrar la vida

Nó...! Permanecer y transcurrir
no es es perdurar, no es existir,
ni honrar la vida!
Hay tantas maneras de no ser
tanta conciencia sin saber,
adormecida...
Merecer la vida,
no es callar y consentir
tantas injusticias repetidas...
Es una virtud, es dignidad
y es la actitud de identidad
más difinida!
Eso de durar y transcurrir
no nos dá derecho a presumir,
porque no es lo mismo que vivir
honrar la vida!

Nó...! Permanecer y transcurrir
no siempre quiere sugerir
honrar la vida!
Hay tanta pequeña vanidad
en nuestra tonta humanidad
enceguecida.

Merecer la vida es erguirse vertical
más allá del mal, de las caídas...
Es igual que darle a la verdad
y a nuestra propia libertad
la bienvenida!
Eso de durar y transcurrir
no nos da derecho a presumir
porque no es lo mismo que vivir
honrar la vida!

Mercedes Sosa

10 julho 2006

Curiosidade

"Curiosidade: uma qualidade repreensível do espírito feminino.
O desejo de saber se uma mulher sofre da maldição da curiosidade constitui uma das paixões mais insaciáveis da alma masculina "

Autor: Bierce , Ambrose

Notti Magiche - Campioniiiiiiiiiiiii

Un'estate Italiana

Forse non sarà una canzone
a cambiare le regole del gioco
ma voglio viverla cosi quest'avventura
senza frontiere e con il cuore in gola

E il mondo in una giostra di colori
e il vento accarezza le bandiere
arriva un brivido e ti trascina via
e sciogli in un abbraccio la follia

notti magiche
inseguendo un goal
sotto il cielo
di un'estate italiana

e negli occhi tuoi
voglia di vincere
un'estate
un'avventura in più

Quel sogno che comincia da bambino
e che ti porta sempre più lontano
non è una favola - e dagli spogliatoi
escono i ragazza e siamo noi

notti magiche
inseguendo un goal
sotto il cielo
di un'estate italiana

e negli occhi tuoi
voglia di vincere
un'estate
un'avventura in più

notti magiche
inseguendo un goal
sotto il cielo
di un'estate italiana

e negli occhi tuoi
voglia di vincere
un'estateun'avventura in più
un'avventura
un'avventura in più
un'avventura goal !

Gianna Nannini & Edoardo Bennato

08 julho 2006

Dias felizes


GIORNI FELICI (Os Dias Felizes)
de SAMUEL BECKETT
com o apoio do Instituto Italiano de Cultura

PICCOLO TEATRO DI MILANO
Encenação de Giorgio Strheler, Reposta por Carlo Battistoni - Itália

NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA - Sala Principal - ALMADA
13 e 14 de Julho às 21h - 13€
Língua italiano (legendado em português)
Duração 1h40

Giorni Felici estreou-se em Maio de 1982 com uma leitura dita “positiva”: um Beckett em plena luz, quase privado da aura niilista que muitas vezes caracterizava as interpretações cénicas.Para Strehler, Beckett era sobretudo um poeta e, explicava o encenador, “quando, como em Os Dias Felizes, a poesia grita com uma voz assim tão alta, o homem não se nega: afirma-se”.Nascia desta forma um espectáculo que teria interessado o próprio Beckett, no qual, sem se acrescentar palavras, mas através dos gestos, era sublinhada a vontade da protagonista em viver “até ao fim”.
Franco Cordelli, crítico do Corriere della Sera, escreveu o seguinte a propósito da interpretação de Giulia Lazzarini: “Trata-se de uma arte exorcista de afastar o mal, de o combater a golpes de florete. O chapéu encarnado, as costas possantes, os braços robustos, as maravilhosas, petulantes e faladoras mãos. Ei-la. Giullia Lazzarini. Assim se perceberá o que é o teatro: um exercício de memória para combater o tempo, para não se render nunca”.

SAMUEL BECKETT
Assinala-se este ano o centenário do nascimento de Samuel Beckett (1906 - 1989: vide biografia na pág. 36), um dos maiores dramaturgos do século XX, cuja obra, inscrita na linha do teatro do absurdo, lança um olhar pessimista e desencantado (mas pleno de humor) sobre a condição humana. Peças como À Espera de Godot e Dias Felizes farão para sempre parte do cânone da dramaturgia mundial, quer pela sua originalidade, quer pelo seu simbolismo, quer pela capacidade de abordar a essência humana, desligada de um espaço e tempo específicos: as suas personagens, em cenários inóspitos, limitam-se a esperar que o tempo passe, agarrando-se a tarefas rotineiras para continuar a viver, à espera de... nada.

Dia 14 de Julho, 6ª feira lá estarei!

07 julho 2006

Os olhos


"Temos olhos de ver e olhos de não ver, depende do estado de coração de cada um."
in O Gato Malhado e Andorinha Sinhá, de Jorge Amado

06 julho 2006

Taizé em Calcutá


A Peregrinação de Confiança em Calcutá
Terá lugar de 5 a 9 de Outubro de 2006 e será um encontro internacional de jovens e uma etapa de «peregrinação de confiança através da terra» iniciada pelo irmão Roger, o fundador da Comunidade de Taizé.

O objectivo deste encontro é de ajudar os jovens na sua procura de Deus e no seu desejo de se empenharem na Igreja e na sociedade. A confiança e a paz serão os temas centrais do encontro.

Eu quero ir!!!

04 julho 2006

A verdadeira dor...

"O mendigo Sexta-Feira jogando no Mundial"

"(...) O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me antender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)

Mia Couto, in O fio das Missangas

03 julho 2006

Não há Comunhão sem Diálogo

Homilia de D. José Policarpo, Santuário de Fátima, 13 de Maio de 2005:
"Fátima e a comunhão com o Santo Padre"

"....Prometemos-lhe escolher como prioridades as suas prioridades pastorais, sejam elas de aprofundamento da autenticidade da vida cristã, de diálogo ecuménico ou inter-religioso ou de construção da harmonia e da paz, para bem de toda a família humana. Seremos ousados quando ele for ousado, na obediência à sua palavra. Acolheremos todos com o mesmo espírito com que ele os acolhe, na certeza de que a todos os que visitarem este Santuário, Fátima falará de Nossa Senhora e do Seu Filho Jesus Cristo. Não há aqui, nem nunca haverá, "templos inter-religiosos ou inter-confessionais". Há, isso sim, um Santuário onde Maria é Rainha e onde acolhe com amor de Mãe todos os que vêm com um coração recto, peregrinos da verdade e do amor. Fátima quer ser uma escola de comunhão e de oração. A próxima inauguração da Igreja da Santíssima Trindade, abrir-nos-á à fonte do amor inter-pessoal de Deus, fonte de todo o amor, como foi sugerido desde as aparições do Anjo. Nosso Senhor Jesus Cristo e o Espírito que nos envia, e Maria, Mãe de Jesus, serão sempre mensageiros do amor trinitário. Tudo em Fátima deve convergir para um contínuo hino de louvor ao amor trinitário de Deus. ..."

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca
Discordo. (ponto)

02 julho 2006

Passeio de Domingo


Na baía de Cascais
Avistei ao longe um barco a arder
Perguntaste porque o sonhava
Olhei ao céu, não pude responder

Vejo o mar nos teus olhos
Ao contar-te velhos quadros
Das viagens, que o mar soube esconder

Eu pinto esta baía assim
E são mil cores ao pé de mim
Nesta baía eu descobri
Tantas imagens perto de mim

Só, no cais
Vou recordar esse teu olhar
À deriva no mar

Lembro o mar nos teus olhos
Ao deixar neste quadro
A saudade, depois de te perder

Eu pinto esta baía assim
E são mil cores ao pé de mim
Nesta baía eu descobri
Tantas imagens perto de mim

Delfins

01 julho 2006

Compra de Luxo!

RADIODERVISH nasceu em Bari em 1997, uma parceria artística entre Nabil Salameh e Michele Lobaccaro, que antes constituiam o grupo Al Darawish.
A diversidade das suas origens culturais dá vida a canções que são como pequenos workshops que identificam ligações entre Este e Oeste. Estes caminhos podem ser encontrados nos símbolos e lendas das várias culturas do Mediterrâneo, uma zona de fronteira que ao mesmo tempo une e separa as pessoas dessa área.
O resultado é um refinado retrato musical, uma harmoniosa fusão de melodias e letras em várias línguas, inspirado tanto pelas tradições musicais árabes como ocidentais.

Centro del Mundo é um hino ao desenraizamento e à precariedade de mobilidade dos homens. 14 temas que desenham um requintado itinerário de imagens, palavras, linguagens e sons.
As canções são concebidas como pequenos laboratórios, onde interagem e dialogam culturas diferentes. A música é capaz de cantar os sentimentos de quem vive dividido entre duas culturas.
Centro del Mundo Alterna e reordena a babel das línguas possíveis: árabe, italiano, inglês, francês e espanhol. Os textos contam mitos comuns das culturas mediterrâneas, de simbologia mística e realidade terrena.
O amor sensual torna-se místico e de espiritual torna-se terreno e todo humano, sempre intrínseco de nostalgia de alguma coisa que se perdeu, de exílio e de errância.

Os homens na Terra são como pássaros com plumas diferentes, cada um com o próprio tipo de música e canto.
el RaMak

30 junho 2006

1000 visitas!


Ao/à visitante nº1000 será oferecido um montão de Nutella! :)
Com uma condição... para comer na minha companhia! hihihih
Espero que continuem a visitar este meu "bloguinho", onde vou colocando coisas do dia a dia que me tocam de certa maneira.
E vão continuando a dar sugestões... são sempre bem-vindas!

Do Cântico dos Cânticos


Viens ma toute belle, viens dans mon jardin.
L'hiver s'en est allé et les vignes en fleurs
exhalent leur parfum, viens dans mon jardin.

28 junho 2006

Toca a cantar e dançar!!!

CHOPP ARERÊ by Portugal Eléctrico
Juanes, Ivete Sangalo e Jota Quest


22 de Julho - Pavilhão Atlântico
– Parque do Tejo - Parque das Nações (Lisboa)

Plateia em pé - 25€
Tribuna - 35€


Eu vou :) tira o pé do chããããooooo :)))

27 junho 2006

Não à morte lenta!



Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

Meia perdida...depois de ter voltado das férias! :(



  1. Ontem estava morta de sono e cansada depois de ter utilizado todas as minhas energias nas férias.
  2. Aterrei em Lisboa e fui directamente trabalhar.
  3. As férias foram tão repousantes que apagou-se-me da mente a password das minhas duas contas de email... o que significa que estou incontactável e nem tenho messenger
  4. Descobri que não tinha chave para entrar em casa... mas esta resolveu-se!
  5. Hoje, ia apanhar o metro às 8h (que para mim é de madrugada) para adiantar trabalho... e descobri que havia greve. Voltei para casa e só vou trabalhar às 11h (final da greve)

Mas o que interessa é que as férias foram lindas e que estou muito feliz!!! :) Vivaaaaaaaaaaaa

Quem quiser para me contactar pode mandar emails para milvidas@gmail.com . Os posts irão directamente para o meu email que não consigo aceder.

14 junho 2006

Turquia - Lá vou eu :)



Istanbul - Adana - Antioquia - Tarso - Capadócia - Konia - Pamukale - Efeso - Kusadasi - Izmir

Até ao meu regresso :)

13 junho 2006

Feira do Livro - Lisboa



A calçada do Parque Eduardo VII, voltou a receber a Feira do Livro. Hoje é o último dia.

Estas foram as minhas aquisições deste ano... algumas verdadeiras "pechinchas"! Agora o dilema, tantos livros mais os das prateleiras que nem sei por onde começar :)

  1. Casa Rossa - Francesca Marciano - Ed. Dom Quixote
  2. Budapeste - Chico Buarque - Ed. Dom Quixote
  3. África Minha - Karen Blixen - Ed. Relógio d'Água
  4. Eu tenho um sonho - Autobiografia de Martin Luther King - Ed. Bizâncio
  5. Maria Madalena - A discípula amada - Esther de Boer -Ed. Paulus
  6. À procura de Sana - Richard Zimler - Ed. Gótica
  7. Meia-Noite ou o princípio do mundo - Richard Zimler - Ed. Gótica
  8. Tóquio: Vôo cancelado - Rana Dasgupta - Ed. Bizâncio
  9. Oração: frescura de uma fonte - Irmão Roger de Taize e Madre Teresa de Calcutá - Ed. Paulus
  10. Os gritos do coro - Nem silêncio, nem demissão - Monsenhor Jacques Gaillot - Ed. Campo Letras

    E vocês visitaram e Feira? O que compraram? Eu... bem... que consumistaaaaaaaaa! Eu sei Sofia... eu devia começar a ir à biblioteca :)


12 junho 2006

Por falar de Angola...


Velha Chica

Antigamente a velha chica
vendia cola e gengibre
e lá pela tarde ela lavava a roupa
do patrão importante;
e nós os miúdos lá da escola
perguntávamos à vóvó Chica
qual era a razão daquela pobreza,
daquele nosso sofrimento.
Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.

Mas a velha Chica embrulhada nos pensamentos,
ela sabia, mas não dizia a razão daquele sofrimento.
Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.
E o tempo passou e a velha Chica,
só mais velha ficou.
Ela somente fez uma kubata com teto de zinco, com teto de zinco.
Xé menino, não fala política, não fala política.

Mas quem vê agora
o rosto daquela senhora, daquela senhora,
só vê as rugas do sofrimento, do sofrimento, do sofrimento!
E ela agora só diz:"- Xé menino, quando eu morrer, quero ver Angola viver em paz!
Xé menino, quando morrer, quero ver Angola e o Mundo em paz!"

canta Dulce Pontes com Waldemar Bastos

O Primeiro Canto - Dulce Pontes

«No princípio havia os quatro elementos. No princípio, Dulce Pontes imaginou um disco onde a água, a terra, o fogo e o ar representassem uma unidade, a harmonia de todas as coisas, o regresso ao essencial, àquilo que faz sentido: Por isso lhe chamou "O primeiro Canto". Neste disco, Dulce Pontes, mostra, uma vez mais, que o Fado é apenas uma das suas referências mas está longe de ser o único espaço disponível para a sua fantástica voz.
O disco parte de uma miniciosa descida às fontes da música popular portuguesa, com um exaustivo trabalho de recolha de sons, vozes e instrumentos - desde o som dos passos na dança tradicional do Fandango até aos coros dos cantares rurais do Alentejo, a região mais pobre e esquecida de Portugal. Neste fantástica viagem, quase antropológica às "fontes do som", Dulce Pontes e a sua equipe de produção reinventaram, redescrobiram, reconstruíram instrumentos musicais em desuso e tão diversos como a Moraharpa, o Tambor oceano, a Sweedish bag pipe ou a Valilha de Madagáscar.
A ideia de Dulce foi fazer um disco "limpo", puramente acústico, sem sintetizador nem guitarras eléctricas em que a sua voz servisse como o fio que une influências cuturais tão diferentes, demonstrando que, na sua nudez inicial a música é uma linguagem própria e universal e a voz é apenas mais um instrumento ao serviço dessa unidade.
Na escrita e na selecção dos temas do álbum, vamos também encontrar os sinais da sua atenção ao mundo dos homens que a rodeia, quer seja nos temas que reproduzem os cantares dos trabalhadores do campo ou no pranto da velha angolana por um país devastado pela guerra, nessa magnífico duo com Waldemar Bastos ("Velha Chica").
Este é segundo ela "o meu disco mais delicado". Aquele em que a voz é um instrumento aos serviço de uma sensibilidade da "vontade de comunicar" - o que é afinal, o essencial daquilo que a move.
Põe-se o "primeiro Canto" a tocar e a voz de Dulce Pontes enche imediatamente a sala e toma conta de todo o ambiente. Se experimentarmos afastarmo-nos e vaguearmos pela casa sentiremos que a sua voz nos segue, envolvente, densa, intensa. Como fogo e terra, ar e água, tudo reunido, como no princípio de todas as coisas.
Miguel de Sousa Tavares

Que mais posso dizer? Aconselho vivamente :)))

11 junho 2006

Os direitos inalienáveis do Leitor

Os Direitos Inalienáveis do Leitor:

1. O direito de não ler.
2. O direito de saltar páginas.
3. O direito de não acabar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler não importa o quê.
6. O direito de amar os "heróis" dos romances.
7. O direito de ler não importa onde.
8. O direito de saltar de livro em livro
9. O direito de ler em voz alta.
10. O direito de não falar do que se leu.

Daniel Pennac, Como um romance, Asa

10 junho 2006

Concurso de Fotografia


Lonely Planet - June Photo Competition

The theme of the June photo competition is Africa or Asia. Yep, it’s pretty broad - note that Asia includes the Middle East! We’re looking for photographs that say something about a country in one of those continents. Your pic can be of people, wildlife, landscapes, architecture, whatever, but if you want to be in with a chance to win it’s got to be a striking and unusual shot. Your photo must be accompanied by a brief paragraph (50-100 words) telling the story behind the image.

The prize is a copy of The Cities Book and a free guidebook of your choice for the winner and a free guidebook of your choice for the 24 runners up. Plus, for every entrant there’s the possibility of having your photograph commissioned for publication in one of the upcoming Lonely Planet titles The Africa Book and The Asia Book! (If your photo is commissioned for the books, you'll need to have a copy of it that is at least 300 dpi at print size approx 297mm x 210mm. You can post a smaller version for this competition - in fact, we prefer you do!). We will contact entrants regarding commissioning their images after the close of the competition.

Entries close 1st July 2006.

About the books: The Africa Book and The Asia Book are the new titles in Lonely Planet’s best-selling series featuring The Travel Book and The Cities Book. These large, hardback coffee-table books will delve into every country on the continent in depth with evocative and arresting images and imaginative text, and will also include thematic chapters about the continent as a whole.

If your photo is commissioned for the books, you'll need to have a copy of it that is at least 300 dpi at print size approx 297mm x 210mm. We will contact entrants regarding commissioning their images after the close of the competition.

Competition guidelines:
Welcome to the Lonely Planet Thorn Tree photo competition! The competition commences midday on 1st June (AEST) and closes at midday on 1st July 2006 (AEST). To enter, you must post a link to your photo entry in the photo competition thread on the Lonely Planet Thorn Tree Forum. Entry is free, but you can only enter one image in the competition. One winner, and 24 runners-up will be selected by a panel of judges, comprising Thorn Tree moderators and Lonely Planet staff. The winner will receive one copy of Lonely Planet's The Cities Book and a Lonely Planet guide book of their choice. Each runner-up will receive a Lonely Planet guide book of their choice. Prize winners will be notified by private message to their Thorn Tree account, and winning images will feature in an online image gallery on LonelyPlanet.com. All photos submitted must be the entrant's own work and must not infringe on any rights of third parties. Lonely Planet respects the privacy of others, and your personal information will only be used to tell you if you've won. See our privacy policy at www.lonelyplanet.com/privacy/

Para mais informaçãoes:

09 junho 2006

Momentos irrepetíveis e inesquecíveis!

Charlotte: "Let's never come here again because it will never be as much fun."
in Lost in Translation

Quem nunca o disse? Ou pelo menos quem nunca o pensou ou sentiu?

08 junho 2006

Lisboa em festa! :)

As marchas populares de Lisboa nasceram em 1932, concretizando uma ideia original de José Leitão de Barros – então director do Notícias Ilustrado, realizador de cinema, promotor cultural e homem próximo de António Ferro (responsável pela política cultural do Estado Novo) – como resposta a uma encomenda do director do Parque Mayer, Campos Figueira: era preciso criar em Junho desse ano um espectáculo capaz de mobilizar a atenção dos lisboetas.

O sucesso popular foi tal que o concurso haveria de regressar, agora em 1934. A autarquia chamou então a si a organização das marchas e integrou-as no que chamaria de Festas da Cidade. Doze bairros, cada um com uma marcha, saíram para a rua e desfilaram com música, traje e coreografia inspirados num tema que se pretendia que reconstituísse um uso ou costume local, entoando canções que recuperavam o cariz popular.

Em poucos anos, a cidade apropriou-se das marchas como símbolo de uma identidade perdida entre o rural e o urbano que, embora uma novidade enquanto celebração do santo popular de Lisboa, convivem e até potenciam a tradição dos arraiais e bailes populares.

Desde então, a autarquia lisboeta, agora em colaboração com a Egeac, tem sido responsável pela organização das festas tradicionais do mês de Junho.

Manifestação de unidade e identidade cultural, as Festas de Lisboa centram-se nos festejos dos Santos Populares – fiéis à sua vertente tradicional através das Marchas e Arraiais populares –, embora apostando também em novas experiências, redefinindo conceitos e espaços culturais, convocando para tal agentes culturais e todas as forças vivas da cidade, num movimento de rara dimensão.

As Festas de Lisboa estão classificadas, no site Local Festivities (site holandês independente que faz o ranking dos melhores festivais da Europa, segundo critérios de dimensão, continuidade, originalidade, capacidade de gestão das organizações e divertimento inerente ao evento), entre os 50 melhores festivais europeus, posicionando-se à frente de outras também importantes manifestações europeias, de que são exemplo a Feira de Abril em Sevilha ou as Festas de S. Isídro em Madrid.

Este ano, as Festas de Lisboa regressam ao coração da cidade: Castelo de São Jorge, Parque Mayer, Avenida da Liberdade e Cinema São Jorge serão palco de muitos e variados espectáculos. Durante todo o mês, a cidade estará animada pelos tradicionais arraiais e na Torre de Belém realizam-se em Julho duas grandes produções: Cesária Évora e o África Festival.

Participação Internacional – Itália
Espectáculo da festa tradicional "Gigli di Nola", Nápoles
Desfile no Rossio, 10 Junho, 21H "Abbattimento" do obelisco, 11 Junho

Festa dei Gigli (Nola, Itália)Associando-se às Festas Populares de Lisboa e inscrito no projecto "Festas em Trânsito" – que pretende dar a conhecer anualmente as festas religiosas mais importantes da Europa – terá lugar no dia 10 de Junho, pelas 21h00, na Praça do Rossio, a exibição de uma das manifestações culturais mais representativas da tradição italiana, relacionadas também com a vertente sagrada, e que decorrem em Itália no mês de Junho. Esta iniciativa decorrerá a partir do dia 5 de Junho, com a montagem artística de um obelisco de 25 metros de altura (em madeira e pasta de papel), estrutura que será lançada ao chão, num espectáculo impressionante, no dia 11 de Junho, após o desfile de 10 de Junho.

Este espectáculo foi produzido pela EGEAC, E. M. em parceria com Sete Sóis Sete Luas (Centro de Artes de Rua de Santa Maria da Feira), no âmbito do intercâmbio cultural realizado entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Município de Nola (Itália).

A "Festa dei Gigli" (lírios) celebra-se em Nola, a 22 de Junho. Se este dia não coincide com o domingo, os festejos são adiados para o domingo seguinte. Trata-se de um festejo no âmbito das celebrações de algumas divindades libertadoras. A divindade à qual o povo de Nola dedica esta festa desde o final do século V é S. Paulino.

A festa, mesmo na sua actual organização e com um cunho seguramente cristão, deixa transparecer origens bem mais remotas, ligadas aos ritos da fertilidade e das colheitas; motivos estes, comuns a numerosas civilizações, sejam mediterrâneas e ocidentais, ou de matriz nórdica.

Os Gigli
Inicialmente eram pequenos castelos, que se tornaram cada vez mais altos, adornados geralmente com flores. Até 1700 eram arrastados com cintos, mas foi-se sentindo a necessidade de elevar o Giglio, introduzindo-se as barras e os homens para o manter elevado. O uso da música aparece mais recentemente, embora existam já testemunhos do século passado.

Existem actualmente três "Botteghe" - Tudisco, Vecchione e Scotti – que levam adiante e tenazmente esta tradição originada em Nola, presumivelmente na época Barroca.

A festa dei Gigli pode ser repartida em diversas etapas, orgânicas e funcionais entre elas. A primeira fase inicia-se no momento em que, com disparos de morteiros, é anunciado à população que os novos Mestres de Festa se empenham oficialmente na construção dos Gigli para o ano seguinte, assumindo os encargos da despesa.

A segunda fase compreende o ritual da "mudança da Bandeira" entre o velho e o novo Mestre de festa, com uma cerimónia que permaneceu mais ou menos inalterável nos últimos dois séculos.

A terceira fase tem início no domingo anterior ao da "Festa", com o transporte dos "Gigli descobertos" (a única máquina em vigamento de madeiras, apenas ornada de bandeiras, algum feixe de flores e a imagem do Santo) dos locais de construção ao do "posicionamento" (junta às habitações dos respectivos Mestres de festa). Continua com o momento de "vestir" os Gigli , nos dias anteriores ao domingo da "Festa", vivendo-se o primeiro momento espectacular na noite de sábado, com a homenagem aos Gigli por parte dos comités e da exposição "na praça" dos Gigli, com música, cantos e performances de vários géneros. Esta fase continua a 22 de Junho, dia do Santo, com a procissão e os outros ritos religiosos, no qual participam os representantes das corporações, as autoridades civis e militares, o Bispo e diversas ordens religiosas. O "Clou" da Festa é o domingo de manhã: neste dia, de facto, as estruturas alinhadas, revestidas com baixos-relevos de massa de papel, são levadas em procissão para a Piazza Duomo para homenagear o Santo. Estas são carregadas aos ombros dos vários "Paranze" . De vez em quando, por mando peremptório, os Gigli são pousados no chão: esta paragem significa essencialmente uma homenagem a alguém, embora responda também à necessidade do embalador descansar para poder reorganizar a sua própria força.
Transportado cada Giglio até à praça, efectua-se então "ballata" (dança) ou "cullata" (embalamento), cujas notas são emitidas por tocadores sentados sobre o obelisco, enquanto se ouve a voz de um cantor. No final, o Bispo inicia a bênção.

A quarta fase da Festa, a menos religiosa, é fortemente caracterizada por comportamentos estranhos, de especial euforia: os Gigli dão a volta à cidade, segundo um percurso predefinido e praticamente inalterado desde o século XV. A Festa conclui-se com o regresso de cada um dos Giglio "a casa", à espera de serem transportados, no dia seguinte, para a Piazza Palazzo di Citta, pelas pessoas da Câmara Municipal, jovens, rapazes e velhos. Os Gigli permanecem nesta praça durante dois ou três dias, segundo um calendário de festejos fixado pela Autarquia.

07 junho 2006

Jesus na fogueira

Uma pergunta inquietante neste romance de Catherine Clément!

Um dia, numa cidade indiana, a narradora encontra um homem misterioso que decide contar-lhe a "verdadeira vida de Jesus". E se Cristo não tivesse morrido na cruz? Como conta a história mais conhecida de todos os tempos, sem que, logo à partida, desvendemos o seu fim?Catherine Clément consegue-o de uma maneira magistral, construindo, através da ficção, uma verdade romanesca que utiliza finamente os Evangelhos para melhor os contornar. Pormenor importante: sem ferir sensibilidades nem crenças – afirmando apenas que a literatura é um terreno de imaginação e liberdade.

Ontem tive a oportunidade de assistir ao lançamento do novo livro desta autora e de a conhcer pessoalmente! Pareceu-me uma mulher extraordinária, com imensa experiência de vida, com mil histórias para contar... o que eu adoro :)
E assim decidi tirar da prateleira um dos 3 livros que tenho da sua autoria. Tenho uma grande expectativa!

06 junho 2006

Visita do Papa a Auschwitz

Bento XVI:«Num lugar como este nem tenho palavras».

« Tomar a palavra neste lugar de horror, de acumular de crimes contra Deus e contra a humanidade que não têm comparação na história, é quase impossível – e é particularmente difícil e oprimente para um cristão, para um Papa que vem da Alemanha. Num local como este, as palavras não surgem, no fundo permanece um surpreendente silêncio – um silêncio que é um grito interno a Deus: Porquê, Senhor, permaneceste calado? Porque é que pudeste tolerar tudo isto? É nesta atitude de silêncio que nos inclinamos profundamente no nosso íntimo em frente à incontável linha de todos aqueles que aqui sofreram e que foram submetidos à morte; este silêncio, no entanto, torna-se numa demanda em alta voz de perdão e reconciliação; um grito a Deus vivo que não permita nunca mais semelhante coisa ».
Foi há pouco mais de uma semana, mas dá sempre que pensar!

04 junho 2006

Finalmente o 1º dia de praia!

O mar enrola na areia

O mar enrola na areia
ninguém sabe o que ele diz
bate na areia e desmaia
porque se sente feliz

Até o mar é casado, ó ai
até o mar tem filhinhos
é caso com a areia, ó ai
e os filhos são os peixinhos

O mar enrola na areia
ninguém sabe o que ele diz
bate na areia e desmaia
porque se sente feliz

Dizem que o mar é casado, ó ai
dizem que o amr tem mulher
é caso com a areia, ó ai
dá-lhe beijos quando quer

Esta era a minha canção de embalar quando eu ainda estava dentro da barriga e quando saí cá para fora! :) Os meus pais cantavam lindamente...hihihih
Conhecem? É bem gira! E as vossas quais eram?

03 junho 2006

A matemática dos encontros amorosos

A Matemática dos Encontros Amorosos

Cristina Palma Conceição (CIES-ISCTE ) e Fabio Chalub, (FCT - UNL)
Sábado, 03 de Junho de 2006 às 15:00
Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, Parque das Nações - Lisboa

A palestra se divide em duas partes. Na primeira, veremos como se constrói um modelo (baseado na teoria de jogos) do comportamento animal na busca de um parceiro sexual. Mostraremos como o comportamento de um lagarto relaciona-se com o jogo infantil "pedras-tesoura-papel", e como os conflitos entre o macho e a fêmea se transferem para o nível genético.

Na segunda parte, partindo da perspectiva da sociologia, procura-se ilustrar a dimensão sociocultural dos relacionamentos amorosos entre humanos. Mais especificamente, usando dados estatísticos acerca dos casamentos realizados em Portugal, é explorada a prevalência de uniões entre indivíduos com afinidades de classe social.

Que curiosinha... é para alargar os conhecimentos :)))

Sangue do Mundo

CATHERINE CLÉMENT, filósofa, ensaísta e romancista francesa, estará em Lisboa, no Instituto Franco-Português, para o lançamento do seu livro O Sangue do Mundo (ed. ASA), apresentado por António Carlos Carvalho, DIA 6 de JUNHO às 18h30 e também DIA 7 de JUNHO às 18h30, desta vez para participar num DEBATE em torno da PSICANÁLISE no qual participam igualmente Maria Belo, Fernando Belo e Ruy Pereira

LANÇAMENTO DO LIVRO O SANGUE DO MUNDO de CATHERINE CLÉMENT dia 6 de JUNHO às 18h30, no IFPA autora estará presente e a apresentação da obra está a cargo de António Carvalho.

O Sangue do Mundo retoma a vida de Théo Fournay, o adolescente de A Viagem de Théo (outro livro de Clément também editado pelas edições ASA) que acompanhava a sua tia Marthe numa fantástica e inesquecível viagem pelo mundo, durante a qual ele ia conhecendo de perto novas religiões e civilizações, permitindo-lhe melhor compreender as particularidades espirituais e culturais das duas "partes" do mundo: o Ocidente e o Oriente. Uma verdadeira viagem pelas correntes espirituais da humanidade.

Em O Sangue do Mundo, Théo tem agora 26 anos, é médico na ONG Médicos sem Fronteiras e dedica-se, para além disso, às questões ecológicas. Ele está a elaborar um projecto com vista à preservação do ambiente. Um dia recebe um telefonema da sua tia Marthe que se encontra muito doente na Índia. Théo vai ao seu encontro. Ambos partem então de novo numa espécie de "viagem de cura". A escolha do percurso cabe desta feita ao sobrinho. Ele traça-o tendo em conta as pesquisas que pretende abordar no seu relatório. A Terra está cansada neste Sangue do Mundo…

"Catherine Clément nasceu em 1939 e é autora de mais de trinta de livros. Após a publicação de uma exigente obra ligada à sua formação de filósofa e historiadora, converteu-se, com grande sucesso, à ficção. Entre os seus romances, publicados pela ASA, contam-se A Senhora, Por Amor da Índia, A Valsa Inacabada, A Rameira do Diabo, A Viagem de Théo, O Último Encontro e As Novas Bacantes. A sua obra está hoje traduzida para 24 línguas". (ed. ASA)

in http://www.ifp-lisboa.com/index.php

Para mais informações sobre a autora e os seus livros:
http://www.asa.pt/autores/autor.php?id_autor=640 e para aqueles que me conhecem... adivinhem os 3 da lista que constam nas minhas prateleiras ;)

01 junho 2006

Feliz Dia da Criança!


As Crianças

O que significa «acolher o reino de Deus como uma criança»?
Um dia, alguém levou crianças até Jesus para que ele as abençoasse. Os discípulos opuseram-se. Jesus indignou-se e disse-lhes para deixarem as crianças chegar até ele. Depois disse-lhes: «Quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele» (Marcos 10,13-16).

É útil lembrar que, anteriormente, foi a estes mesmos discípulos que Jesus dissera: «A vós é dado conhecer o mistério do Reino de Deus» (Marcos 4,11). Por causa do Reino de Deus, eles deixaram tudo para seguir Jesus. Procuram a presença de Deus, querem fazer parte do seu Reino. Mas eis que Jesus os adverte que, ao repelirem as crianças, estão justamente a fechar a única porta de entrada nesse Reino de Deus tão desejado!

Mas o que significa «acolher o reino de Deus como uma criança»? Normalmente interpreta-se como: «acolher o Reino de Deus como uma criança o faz». Isso corresponde a uma palavra de Jesus em Mateus: «Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu» (Mateus 18,3). Uma criança confia sem reflectir. Não pode viver sem confiar nos que estão à sua volta. A sua confiança não é uma virtude, é uma realidade vital. Para encontrar Deus, o melhor de que dispomos é o nosso coração de criança, que está aberto espontaneamente, ousa pedir com simplicidade, quer ser amado.

Outra interpretação possível é: «acolher o Reino de Deus como se acolhe uma criança». Pois o verbo «acolher» em geral tem o sentido concreto de «acolher alguém» (Marcos 9,37). Nesse caso, é ao acolhimento dado a uma criança que Jesus compara o acolhimento da presença de Deus. Há uma secreta conivência entre o reino de Deus e uma criança.

Acolher uma criança é acolher uma promessa. Uma criança cresce e desenvolve-se. É assim que o reino de Deus nunca é na terra uma realidade acabada, mas sim uma promessa, uma dinâmica e um crescimento inacabado. E as crianças são imprevisíveis. Neste relato do Evangelho, chegam quando chegam, e obviamente não chegam no momento certo, de acordo com os discípulos. Mas Jesus insiste que é necessário acolhê-las visto que estão lá. É assim que é necessário acolher a presença de Deus quando ela se apresenta, quer seja numa boa quer seja numa má altura. É necessário entrar no jogo. Acolher o Reino de Deus como se acolhe uma criança é manter-se atento e rezar para o acolher quando ele chega, sempre inesperadamente, a horas ou fora de horas.

Porque é que Jesus deu tanta atenção às crianças?
Um dia, os doze apóstolos discutiam para saberem quem era o maior (Marcos 9,33-37). Jesus, que adivinhou os seus pensamentos, disse-lhes uma palavra desconcertante que confunde e abala as suas categorias: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos».

A esta palavra, juntou o gesto. Foi buscar uma criança. Terá sido uma criança que encontrou abandonada na esquina de uma rua de Cafarnaúm? Trouxe-a, «colocou-a no meio» dessa reunião de futuros responsáveis pela Igreja e disse-lhes: «Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe». Jesus identifica-se com o menino que acaba de receber nos braços. Afirma que é «um destes meninos» que melhor o representa, de tal forma que receber um menino desses é o mesmo que acolhê-lo a ele próprio, Cristo.

Pouco antes, Jesus tinha dito estas palavras enigmáticas: «O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens» (Marcos 9,31). «O Filho do Homem» é ele próprio e são simultaneamente todos os filhos dos homens, quer dizer todos os seres humanos. A palavra de Jesus pode compreender-se: «os seres humanos estão entregues ao poder dos seus semelhantes». É sobretudo quando Jesus é preso e mal tratado que se verificará, mais uma vez, que os homens fazem o que quer que seja aos seus semelhantes que estejam indefesos. Que Jesus se reconheça na criança que foi buscar já não é assim de espantar, pois, tantas vezes, também as crianças são entregues sem defesa àqueles que têm poder sobre elas.

Jesus deu particular atenção às crianças porque queria que os seus dessem uma atenção prioritária aos desprotegidos. Até ao fim dos tempos, serão os seus representantes na terra. O que lhes fizerem é a ele, Cristo, que o farão (Mateus 25,40). Os «mais pequenos dos seus irmãos», os que pouco contam e que são tratados de qualquer maneira, porque não têm poder nem prestígio, são o caminho, a passagem obrigatória, para viver em comunhão com ele.

Se Jesus pôs um menino no meio dos seus discípulos reunidos, foi também para que eles próprios aceitassem ser pequeninos. Explicou-lhes isso no seguinte ensinamento: «Seja quem for que vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa» (Marcos 9,41). Indo pelos caminhos para anunciar o Reino de Deus, os apóstolos também serão «entregues nas mãos dos homens»: Nunca saberão de antemão como irão ser acolhidos. Mas até para aqueles que os acolherem apenas com um simples copo de água fresca, mesmo sem os levarem a sério, os discípulos terão sido portadores de uma presença de Deus.

in Carta de Taizé: 2006/2